4 de mai de 2012

Em bom momento, rap tem poucos representantes na Virada Cultural




MAYRA MALDJIAN DE SÃO PAULO
Atualizado em 04/05/2012 às 12h25.
CADERNO ILUSTRADA - FOLHA DE SP


Cinco anos se passaram desde o quebra-quebra entre público e polícia durante o show dos Racionais MCs na praça da Sé, mas a Virada Cultural ainda pisa em ovos quando o assunto é rap.
José Mauro Gnaspini, curador do evento, garante que não há trauma. "É fundamental ter hip-hop, não dá pra falar de São Paulo sem falar de hip-hop", argumenta.
Porém, num ano em que Caetano aparece de surpresa no show do Criolo, e Neymar faz ponta no clipe do Emicida, é de estranhar o baixo quórum dos poetas das quebradas na maior festa cultural de São Paulo, cidade-berço do hip-hop no Brasil.
Dá para contar nos dedos os MCs escalados para os palcos principais do evento, que vai reunir cerca de mil atrações em mais de 100 locais, sendo 50 deles no centrão, entre 5 e 6 de maio.
Dexter, Flora Matos e Lurdez da Luz estão na programação da praça da República, ao lado de artistas do soul, funk e jazz. Os rappers Ogi e Projota, por sua vez, vão rimar no palco da MTV, na rua Cásper Líbero, em meio a bandas de rock. Rhossi, do Pavilhão 9, é atração do palco da rua Barão de Piracicaba.
No subúrbio, Rappin' Hood representa a classe no CEU Navegantes. No Sesc Pinheiros, tem Rashid, Sombra, Rael da Rima e o próprio Dexter.
"Criolo e Emicida também tinham topado, mas eles têm contrato de exclusividade com o Sónar [festival que acontece no fim de semana seguinte ao da Virada]. Lamento ter perdido os dois", explica Gnaspini.
"É preciso ter rap no centro e na quebrada. Mas também têm que acontecer mais coisas ao longo do ano", avalia Emicida, que não ficou muito contente com a pouca visibilidade do rap no evento. "O rap sofre o tipo de perseguição que o samba sofreu no início do século passado."
Para uma cena habituada à retaliação, o número de representantes na Virada parece até razoável. Não condiz, porém, com o momento de ascensão do rap nacional, que tem conquistado o batalhado status de "música".
Bastante aceitos, outros elementos da cultura hip-hop, como o break e DJs, além dos saraus, aparecem em peso na região mais movimentada da Virada Cultural.
Sobre a ausência de um palco para o rap, uma vez que o rock, o samba e o batuque africano têm seus próprios cantos, Gnaspini explica: "Se a gente faz um palco só de rap, em vez de privilegiar, eu vou acabar segregando."
Só o rock domina, no mínimo, três palcos, com cerca de dez atrações em casa. Doze rodas de samba preenchem a programação de um palco e se espalham pelos CEUs e unidades do Sesc.
Em 2008, um ano após o fatídico episódio, o curador criou um palco para artistas da cena, mas não deu muito certo. "Ficou meio longe da festa, o público não gostou".
Dexter, que faz seu primeiro grande show após 13 anos de prisão (por diferentes delitos), encerrados em abril de 2011, insiste na criação de um palco: "É uma música que faz parte do cotidiano paulista!".
Edi Rock, um dos Racionais, que foi atração da Virada no ano passado, com KL Jay e Don Pixote, é mais paciente: "É questão de tempo, uma hora a gente chega lá".

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