4 de mai de 2011

DEXTER ALCANÇA A LIBERDADE!!!

Por Dj Branco/CMA Hip-Hop

Depois de 13 anos exilado dentro do sistema carcerário, finalmente Marcos Omena, 37, o rapper Dexter, ex-integrante do grupo 509-E, ganha a liberdade plena. Dexter recebeu a noticia às 14h, do dia 20 de abril de 2011, quando se preparava para viajar para a Bahia a trabalho. Na chegada ao aeroporto de Salvador logo a noticia,“Pó irmão to feliz ao extremo, acabei de ganhar a minha liberdade plena”, revelou Dexter.
A comemoração de sua liberdade começa no mesmo dia a noite com uma visita ao Sarau Bem Black, no Pelourinho, a convite do rapper GOG e por intermediação de Hamilton Borges e Dj Branco. Andando nas ruas do Pelourinho a caminho do evento já ouvíamos uma voz falando bem alto “Dexter está em Casa”, falava Nelson Maka, organizador do Sarau, ao chegar no local foi total emoção, o rapper GOG foi até a entrada receber Dexter e o público do Sarau foi ao delírio, muitas fotos e abraços.
Durante o evento Dexter fez o seu primeiro pronunciamento depois de liberto. “Satisfação enorme estar aqui com vocês, meus irmãos de sofrimento, de luta, de revolução, muito obrigado pelo carinho, pelo respeito, meu parceiro GOG, e hoje é um dia mais do que especial, acabamos de desembarcar a umas duas horas atrás, mais às 14h, desse dia 20 de abril, agora a gente pode passar a comemorar todos os anos no dia 20 de abril, a libertação deste que vos fala, muito obrigado pelo carinho, pelo respeito. Certamente as lagrimas derramadas ao longo desses 13 anos, hoje eu entendo que serviu para regar a árvore da minha felicidade, poder dividir isso com meu povo é muito louco, com meus irmãos, com minha família da rua, é muito louco, e eu acho engraçado, e ao mesmo tempo eu agradeço a Deus, essa data caiu justamente no dia que eu venho pela primeira vez a Salvador. De 13 anos, 10 foi ao lado de uma guerreira que dispensa apresentação, dispensa palavras, mas eu só queria dizer que mesmo com os pés sangrando, continuou do meu lado firme e forte, estendendo a mão a todo instante, a todo momento, passou fome por minha causa, quase foi despejada por minha causa, e hoje o que faço pra ela é pouco pelo que ela fez, guerreou comigo dez anos, e hoje você ta aqui amor, é porque você é merecedora e eu queria dizer que eu te amo, Patrícia Omena”, declamou Dexter. Em seguida cantou a música “Oitavo Anjo” o público vibrou.
Durante o evento GOG falou da importância do rapper Dexter para o hip-hop e o estado brasileiro.“Essa noite é muito especial, quantas vezes diante das dificuldades das necessidades, a gente sabendo que você é um parceiro que já era digno da liberdade, de estar caminhando, quantas vezes à política pública esteve distante e não tinha a mínima sensibilidade de entender que você era mais importante fora do quer lá dentro, por várias questões, passando pela econômica, mas principalmente pela espiritual transformadora, então hoje se o sistema, ele conta um a menos lá dentro, o louco é que a periferia ganha muito mais aqui, tá ligado? A guerra preta, a estratégia quilombola hoje vai ser praticada com mais sabedoria, por quer Marcos Omena, o que a periferia fez de Dexter está aqui hoje, então temos que festejar e comemorar, isso ninguém tira de nós, jamais”, desabafou GOG.
Em seguida o militante do movimento negro e da luta-antiprisional, Hamilton Borges, fez seu pronunciamento e declarou o dia 20 de abril feriado. “É muito importante isso aqui, hoje é dia de celebração, eu faço uma guerra aqui, junto com um monte de guerreiros que tem aqui, contra as prisões, nós somos anti-prisionais, e pra nós, há muita tempo atrás, eu dizia uma coisa, que a gente tinha você Dexter, sempre como nosso ídolo, como Nelson Mandela, como Malcom X, como Zumbi pra gente, continua, só que é um ídolo vivo, vivo, sã e forte para nós ajudar na luta, e pra mim o dia 20 de abril é feriado, no decorrer da minha vida, no dia 20 eu não trabalho mais, só estudo, eu queria dizer que nesse momento de celebração de amor, a gente tem que fazer uma luta contra o extermínio na cidade de Salvador, no estado da Bahia, a gente tem que fazer uma luta contra as grades, a gente não pode permitir que o governo continue abrindo cadeias, a gente não pode permitir que os lucros dos ricos sejam o nosso sangue derramado, esse que é o símbolo, valeu Dexter pela sua presença, tamo junto”, declarou Hamilton Borges.
Na sexta-feira, 22 de abril, a convite da Posse de Conscientização e Expressão – PCE – Dexter passou o dia visitando três bairros periféricos da cidade de Lauro de Freitas, vizinha a Salvador. Ele foi aos bairros de Itinga, Portão e Lagoa dos Patos, caminhou pelas ruas, fez freestyle na chuva e conversou com a galera do hip-hop da região. No sábado a tarde participou, no Teatro Vila Velha, do evento Hip-Hop em Movimento, no Vivadança Festival Internacional, como palestrante da mesa redonda Hip-Hop e Direitos Humanos – Mudando as regras do jogo, ao lado de Hamilton Borges, Dj Branco e o Secretário de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Estado da Bahia, Almiro Sena. Dexter aproveitou a oportunidade para falar sobre sua carreira, experiência e visão sobre o sistema carcerário. Em seguida cantou na transmissão ao vivo do programa Evolução Hip-Hop, da rádio Educadora FM.
No domingo de Páscoa Dexter passou a manhã no Complexo Penitenciário Lemos de Brito, junto com Hamilton Borges e Drª Andréia, onde deu palestra, cantou e trocou ideia com os detentos, ele visitou três pavilhões. Para finalizar sua agenda na cidade, prestigiou a final da 4ª Batalha de Break – Evolução Hip-Hop e entregou o troféu e medalha para o campeão da batalha.
No ano de 2008 Dexter começou a cumprir regime semi-aberto, o que lhe possibilitou trabalhar fora do presídio, viajar pelo Brasil fazendo shows, palestras e participando de eventos de cunho sócio político cultural. Começou sua carreira como rapper em 1991 no grupo Tribunal Popular, que tem como padrinho Racionais MC’s, mas sua carreira só teve um “bum” em nível nacional com o surgimento do grupo 509-E no ano de 1999, no Presídio Carandiru, Pavilhão 7,”xadrez” nº 509-E, grupo o qual ele cantava ao lado do rapper Afro X. Logo lançaram o CD Provérbios 13, com faixas assinadas por Mano Brown, Edi Rock, DJ HumMV Bill, e arranjos de Zé Gonzalez (Planet Hemp), Marquinhos e DJ LucianoCom uma pena menor, Afro-X foi libertado da cadeia em 2002, meses antes do lançamento do segundo CD “Depois de Cristo”. A dupla foi desfeita logo depois, mas o mito se manteve, o Oitavo Anjo, que no ano de 2005 lançou seu primeiro disco solo: Exilado SimPreso Não, contou com participações especiais de Mano Brown, Mv Bill, GOG, Função, Tina, Rinea Bv, Edi Rock, entre outros.
Disco que trouxe a toma o motivo real do desfecho do grupo 509-E com a música “Fênix”. O 509-E acabou por divergências dentro do grupo, a decisão de acabar o 509-E foi minha, acho que a Fênix resume muito bem o por quer que acabou o 509-E, eu nunca usei o rap para cantar mentira, sempre fui um cara verdadeiro dentro do rap e até fora dele também, sou ser humano, tenho falhas, não sou perfeito, mais alguns erros eu não costumo cometer, ta ligado? E o 509-E acabou justamente por isso, erros cometidos e o não reconhecimento desses erros, a Fênix retrata muito bem o que aconteceu no 509-E”, explicou Dexter.
Confira abaixo a entrevista exclusiva feita com o Dexter:
Dexter, na frente da Estatua de Zumbi na Praça da Sé em Salvador
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PORTAL RAP NACIONAL: Dexter você pode falar como foi ficar 13 anos exilado?
Dexter: Na verdade, mas do que qualquer outra coisa foi um processo de aprendizado, foram anos de sofrimento, meu e de minha família, mas que teve um peso relevante em meu aprendizado como rapper e principalmente como ser humano.  Claro que muitas coisas foram difíceis, mas acredito que todo guerreiro antes de vencer a guerra vai perder algumas batalhas e no dia 20 agora nós conseguimos vencer essa guerra.  Algumas lutas continuam e agora estamos com liberdade total para poder lutar. Antes tínhamos uma mão atada, um pé atado. Agora como diz na gíria em São Paulo: tá suave.
Como ser humano eu aprendi muito dentro da prisão com outros parceiros. Eu vi o sofrimento de muita gente lá dentro, inclusive de pessoas próximas, da mesma quebrada, da mesma cor que eu. Eu vi muita coisa acontecer, mas graças a Deus toda a moeda tem dois lados e eu preferi ficar com o lado melhor. Eu fiz do pior o melhor, tem uma música nova que vem no meu próximo disco que eu falo isso. “Aprendi a não ignorar o pior, mas conseguir do difícil aprendizado o melhor, a minha missão no mundão recomeçou, tô no verde a solta, obrigado Senhor”.

RN: Durante a sua caminhada no hip-hop pelo Brasil, nos shows, palestras, o que você tira de positivo hoje que você tá na rua?
Dexter: Pude trazer essa experiência de sofrimento para a rapaziada e continuar com meu projeto “Como vai seu mundo”, levando agora a perspectiva de possibilidades pra eles lá dentro, se eu passei 13 anos e com a garra conquistei a liberdade, eles também podem. Meus parceiros que continuam lá no projeto, em todos os lugares, em todas as cadeias do Brasil, todos eles tem uma possibilidade, agora comigo na rua é possível dizer pra eles que existe sim uma possibilidade de ganhar a liberdade, trabalhando em prol disso, então acho que todos companheiros lá dentro tem que trabalhar em prol disso, da liberdade deles, isso é o mais importante, fica ai a experiência de poder ter lutado , acreditado, conquistado e agora mais do que nunca estar liberto, então isso pra mim é gratificante ao extremo.

RN: Muita gente diz que a cadeia é a escola do crime, qual a sua opinião sobre isso?
Dexter: Pode ser, dependendo da ótica que se olha pode ser, o cara que entra lá por que cometeu um crime banal, ele pode sair de lá doutorado em crimes maiores,  pode ser sim. Mas também é um lugar de muita tristeza,  às vezes as pessoas podem sair de lá frustradas ao extremo sem ter aprendido nada, de ruim ou de bom. Essa máxima de que a cadeia é uma escola do crime, ela pode ser verdadeira sim, depende de quem olha e de quem ta lá. Acho que depende de cada pessoa, o que você quer para você.
Quando eu cheguei em  28 de janeiro de 98 não demorou muito tempo para eu entender que o crime não era pra mim. O crime de uma forma ilícita não era pra mim. Embora eu ainda continue sendo um criminoso, mas um criminoso da comunicação, da informação. Porque educar o meu povo, educar o meu país é dar um golpe de estado e dar um golpe de estado em meu país, é ser um criminoso, o rap me torna um criminoso, mas um criminoso lícito, com a liberdade de expressão, com a possibilidade de poder  falar para as pessoas o que é o que não é, não na intenção de ser o dono da verdade, mas a intenção de alertar para o  que pode vim ou não, o que tem que se fazer ou não também, é muito louco isso, o rap salvou a minha vida e certamente salvou a vida de milhões de jovens no Brasil a fora. Tô aqui em Salvador e estou vendo a paixão, o amor que a rapaziada do hip- hop tem pelo próprio hip-hop mano,  é muito louco isso. Eu tô voltando aos anos 90, anos do auge no rap em São Paulo. Estou me sentindo aqui em Salvador um Malcom X, um Martin Luther King, um Mano Brown, um GOG, um Mv Bill, muito louco, muito louco isso.

RN: Qual a análise da conjuntura que você faz sobre o sistema carcerário?
Dexter: Muito simples mano, não recupera ninguém, temos que trabalhar em prol de nós mesmos, individualmente falando, ou coletivamente falando, nós temos duas formas de trabalhar, agora eu acho que depende muito de onde você está e se as pessoas ao seu redor também querem trabalhar desta forma coletiva. Se não quiserem meu amigo, a cota é você trabalhar por si só, individualmente falando, e fazer do pior o melhor, o sistema carcerário não recupera ninguém, não existe uma política de ressocialização. Infelizmente e é assim que funciona, não dá para tapar o Sol com a peneira.

RN: Você falou que o rap salvou sua vida. Você acredita que o rap salva vidas?
Dexter: Ohhh, com certeza. Sou categórico em afirmar, eu antes de conhecer o rap não sabia direito o que iria fazer de minha vida, como planejar meu futuro, o rap me trouxe essa possibilidade de programar as coisas, de pensar melhor. É claro que eu falei também que antes de toda a vitória certamente irão acontecer às derrotas. Ter ficado preso oito anos, depois de ter conhecido o rap,  foi uma derrota. Mas eu fui preso porque coloquei o revolver na cinta e fui buscar um dinheiro por que eu queria gravar meu CD. O rap é tão religião para mim mano, o rap me influencia tanto que eu queria colocar o meu disco na rua de qualquer forma. Eu queria que as pessoas conhecessem os meus pensamentos enquanto homem revolucionário e o que eu fiz, eu fui pra luta armada, eu precisava de dinheiro, infelizmente o mal do meu povo é o dinheiro. E  nós não tem dinheiro para fazer aquilo que queremos e muitas vezes acabamos abdicando  daquilo que a gente tem de melhor para fazer o pior, então eu peguei uma arma sim e fui atrás de um dinheiro, eu tava com o Brown produzindo meu primeiro CD, eu ainda era Tribunal Popular, eu estava com o Edy Rock, além de estar produzindo uma música, participando também, eu não queria perder essa chance de ter dois ícones do rap nacional no meu CD. Então por algumas coisas internas que aconteceram em relação à gravadora que tava lançando nosso CD e não pode mais bancar, eu resolvi assumir essa dívida no Atelier Studios, e fui atrás do dinheiro, só que eu tinha abandonado  a minha profissão de cabeleireiro, a qual eu tenho muito orgulho, sou especializado em corte black, eu tinha abandonado alguns meses antes desse episódio, então foi necessário que eu buscasse um dinheiro para poder pagar as horas de Studio e foi onde que infelizmente eu acabei sendo preso.

RN: Qual foi o seu artigo?
Dexter: 157 que é assalto a mão armada. Embora eu tendo sido envolvido no 121 também, eu tô falando aqui porque você perguntou e tal, mas isso não é glória pra ninguém. Preferia dizer que não foi artigo nenhum, mas já que fui, já que sou um ex- detento,  um ex-exilado, um crime foi cometido, esses crimes foram 57 e 121.

RN: O que representa o 509-E em sua vida?
Dexter: O 509-E foi um prêmio, um troféu que chegou as minhas mãos e eu tive que fazer jus a esse prêmio que recebi. Nós trabalhamos em prol, falando de mim, da minha parte, deu um polimento, todas as pessoas envolvidas no 509-E tiveram a sua parcela de responsabilidade dentro do grupo, eu tive a minha e foi dar um polimento, foi trabalhar em prol de um nome grandioso que nasceu no ano de 2000. O 509-E ganhou prêmios, levou a minha voz, a minha música a lugares maravilhosos e hoje não só com o 509-E,  mas com o Exilado Sim, Preso Não, já em carreira solo, eu estou podendo  ver, eu estou podendo colher os bons frutos que foram plantados através das minhas músicas, tanto dentro do 509-E como em carreira solo agora. Mas para definir o 509-E foi isso, foi um prêmio, um troféu que eu ganhei na minha carreira.

RN: Por que o 509-E acabou?
Dexter: O 509-E acabou por divergências dentro do grupo, a decisão de acabar o 509-E foi minha, acho que a música Fênix resume muito bem o porque acabou. Eu nunca usei o rap para cantar mentira, sempre fui um cara verdadeiro dentro do rap e até fora dele também, sou ser humano, não sou perfeito, mas alguns erros eu não costumo cometer. O 509-E acabou justamente por isso, erros cometidos e o não reconhecimento desses erros,  a Fênix retrata muito bem o que aconteceu no 509-E. Já era… Estou firmão, fortão, seguindo minha carreira solo, tô bem graças a meu bom Deus. O 509-E foi pra mim como se fosse  uma igreja, quando você não concorda com aquela doutrina, mesmo que você tenha ficado anos,ou dias, semanas, meses, você sai fora e procura uma outra igreja com uma outra doutrina e descobre que o seu Deus é o mesmo de outra igreja. Essa é a metáfora que eu faço em relação ao 509-E. O 509-E pra mim era uma igreja onde a doutrina começou a me incomodar, eu sai fora e hoje eu tô em outra igreja, carreira solo no caso, e tô bem mano, hoje eu faço do meu jeito, da minha forma, da forma que eu acredito e é muito mais produtivo, muito bom hoje poder trabalhar firme e forte na minha carreira solo.

RN: Quem é o Dexter hoje?
Dexter: O Dexter além de um homem liberto,  é um cara que embora liberto jamais se sentirá como tal. Enquanto vários irmãos estiverem encarcerados,  estiverem no exílio, eu também vou me sentir como tal, porque eu também faço parte dele, faço parte desta atmosfera, mas Dexter hoje é um cara feliz, um cara mais maduro, é claro que todo dia se tem um aprendizado, todo dia eu aprendo mais um pouco, mas eu sou um cara feliz, sou amado pela minha família, amo minha família também, amo minha família de casa, e a minha família da rua, e sou um cara que posso falar para pessoas de algumas  experiências que passei  nesses 37 anos, 13 deles vividos dentro do cárcere. Não sou um Martin, não sou um Malcom X, mas tenho uma história, o rap me possibilitou isso, e mas do que tudo eu sou um ser humano que aprendeu com os erros, que vai continuar errando, claro, lógico que não mas com uma arma na mão, mas no dia a dia, no cotidiano comum, vai continuar errando, mas que é um cara feliz mano, e que quer falar pras pessoas de uma possibilidade de mudança, quer mostrar para as pessoas que essa possibilidade é real, esse é meu papel, eu tenho amor, felicidade de poder estar cumprindo ele, de saber que Deus me dá saúde todos os dias, de levar para as pessoas esperança através de minha música, alegria, diversão, entretenimento, mas também consciência, aprendizado. Enfim, esse é o Dexter hoje.

RN: Você sempre fala da importância da sua esposa em sua vida. Você pode explicar o que isso representa?
Dexter: A minha mulher é uma pessoa maravilhosa, me acompanhou dez anos dentro do cárcere, sempre esteve lado a lado comigo, mesmo com os pés sangrando, o coração também, sempre foi uma pessoa excepcional, de muita importância em minha vida, minha base.

RN: Você conheceu a Patrícia no presídio?
Dexter: Na verdade a nossa historia começou no último show que o 509-E fez na rua, no dia 25 de janeiro de 2001, aniversário de São Paulo. Foi um show lá na Pedreira, na Zona Sul, onde eu conheci a Patrícia. Nossa ligação começou ali e oito messes depois começamos a namorar. No dia 16 de setembro vai fazer dez anos que estamos juntos. Ela é uma pessoa maravilhosa, que me ensinou muito. Claro que é um ser humano também, não somos perfeitos, somos passíveis de falhas, somos seres humanos e estamos aprendendo juntos. Isso que é muito louco, procuramos melhorar juntos. Ela é uma pessoa que eu amo de verdade, uma pessoa que me ajuda a cuidar da minha imagem como rapper, da minha carreira, uma pessoa que me ama de verdade, não por quer eu sou o Dexter, mas porque eu sou o Marcos Fernandes de Omena, eu também a amo muito, temos as nossas divergências, mas nos amamos e o amor supera tudo e isso que é o mas importante, ela é uma pessoa fundamental em minha vida.

RN: Quem foram as pessoas que te deram força nos momentos mais difíceis? Quem te apoiou no sistema carcerário?
Dexter: Foram várias as pessoas, se eu for citar nomes aqui eu vou cometer injustiças, porque foram vários amigos, não tantos assim, mas para um cara que tá exilado e ter os amigos que eu tenho, eu considero vários, queria agradecer todos eles aproveitando o ensejo, quero agradecer todos eles por terem estendido a mão no momento que eu mais precisei. Eles sabem quem são, eu não preciso citar nomes, tenho até medo de cometer injustiças porque foram diversas pessoas, de diversas partes do Brasil. Eu tenho um carinho enorme por todos eles, todos eles estão em meu coração, eu queria agradecer os ensinamentos, os momentos de tristeza que eu passei e eles estavam comigo, não me abandonaram, isso é o mas importante, não me abandonaram, estiveram junto comigo lado a lado, foram vários, prefiro não citar nomes , mas eles sabem quem são.
Hamilto, Dexter e Dj Branco na mesa de debate do Hip-Hop em Movimento, em Salvador-BA

RN: O que é o Brasil para você?
Dexter: O Brasil é um país com muitas contradições, mas mesmo assim é um pais maravilhoso de viver. É um país onde possibilita algumas pessoas viverem bem e outras nem tanto, percebo que isso também é culpa de nossos governantes que detêm o poder e não fazem nada, traem os filhos da nação quando são eleitos e passam a ocupar os cargos públicos e não fazem jus aos votos que receberam e traem o povo. Mas mesmo assim somos um povo guerreiro, que vamos a luta, que buscamos as nossas conquistas em meio a todo esse caos. Temos sobrevivido ao longo dos anos, vitórias aqui, derrotas ali, mas estamos aí. O Brasil é um país lindo, maravilhoso, odoro o Brasil, mas ele tem suas deficiências e nós com o hip-hop, com o rap, tentamos auxiliar as pessoas para se reconhecerem nesse mundo muito louco que vivemos, em especial aqui no Brasil, que é um país com diversas culturas. Eu estou tendo a possibilidade de viajar por diversos estados, conhecendo muita gente importante, muita gente que eu conversei quando eu tava lá dentro, que eu conhecia por telefone, mas que hoje eu posso abraçar, dizer a satisfação que tenho de tê-las como amigos/amigos. E por onde eu ando o que eu percebo é o amor, o carinho que as pessoas têm por mim, por minha música e consequentemente a força de vontade de viver. O  hip-hop possibilita isso, quando converso com as pessoas do meio do hip-hop percebo muito isso, a gana, a vontade de mudança.

RN: Quando foi que você entrou em regime semi-aberto e quem possibilitou você viajar, fazer shows e participar de eventos pelo Brasil?
Dexter: Eu ganhei o semi-aberto no dia 30 de dezembro de 2008, quando eu me encontrava exilado em Campinas, na região de Hortolândia, neste local existe uma Juíza que não era muito de apoiar meu trabalho e logo em seguida eu fui transferido para Guarulhos, onde chegando lá encontrei um Juiz que é um ser humano incrível, que além de gostar do hip-hop é fã das minhas músicas em especial, assim como as músicas do Racionais, do Bill e do GOG. Ele acha que todos nós temos um poder muito grande de comunicação, de informar as pessoas do que acontece  ao nosso redor, no nosso país. É um cara que abriu as portas para mim, me convidou para executar um projeto dentro do Parada Neto, que é uma cadeia de regime semi-aberto, e eu aceitei de bom grado. Ele pediu para que eu elaborasse exatamente aquilo que eu gostaria de fazer dentro do projeto e em parceria com o Instituto Crescer para a Cidadania formatamos um projeto e estamos lá desenvolvendo esse projeto até hoje. É um projeto piloto, de seis meses, que tem todas as chances de continuar como um projeto efetivo dentro das cadeias de Guarulhos,  foi justamente esse Juiz que me possibilitou desenvolver esse projeto, que também mediante ao meu trabalho entendeu que eu tinha todas as possibilidades de viajar para fazer shows e palestras. Ele só pediu que fosse elaborado um pedido mediante a LEPE, que é a Lei de Execuções Penais, que me garante de fato desenvolver o meu trabalho e essas saídas temporárias fora de época, mas sempre para trabalhar. O Dr Jaime é um ser humano, na condição de Juiz, me incentiva muito a  questão do trabalho da ressocialização, da reinserção de qualquer individuo da comarca dele na sociedade e comigo não seria diferente, mesmo porque eu conheço meus direitos.
O advogado Dr. Claudio Portela, de Brasília, também é um cara muito importante na minha história, um ser humano impar. Nós dois, em parceria, conseguimos elaborar um pedido, muito bem feito, o qual teve êxito dentro da VEC (Vara de Execuções Criminais), a princípio foi negado pelo Ministério Publico, mas o Dr. Jaime, na condição de Juiz, deferiu o pedido e agiu de acordo com a lei e eu consegui ir até Brasília fazer um show. A partir desse show, graças a Deus, as portas se abriram e foi assim até o dia da minha liberdade, dia 20 de abril de 2011.

RN: O que é o hip-hop para você?
Dexter: O hip-hop é vida, é mudança, é uma proposta de futuro melhor, para mim e para você, para todos aqueles que são adeptos do hip-hop e até para uma sociedade que muitas vezes nem valoriza o hip-hop. Mas se conseguirmos mudanças, essas mudanças refletem neles  também, se um irmãozinho através do hip-hop abandonar as armas, isso reflete nessa sociedade também, que com certeza vai ser um cara a menos para roubar, para matar, para traficar. O hip-hop é uma religião, é um movimento, uma cultura, uma base enraizada no mundo todo, em especial nas periferias e nas favelas nos guetos, mas que hoje também esta nos asfaltos, um movimento que vem crescendo a cada dia, a cada instante, é uma cultura que conseguiu reunir milhões de jovens que ao invés de estarem roubando, traficando, cometendo delitos, estão cantando, estudando, planejando seu futuro de uma forma brilhante, expressando seus pensamentos através do grafite, da dança, da música. Enfim, é uma cultura que conseguiu, que consegue tirar as pessoas da marginalidade, da criminalidade, é uma cultura que faz com que as pessoas comecem a pensar, a raciocinar, que sintam vontade de voltar a estudar, a respeitar mas seus pais, suas mães, é uma cultura sem igual, que conseguiu reunir milhares de pessoas para falar de consciência política, racial, social, para falar de diversos assuntos muitos importantes para nossa sociedade. O rap é um amigo que eu tenho, o hip-hop é um amigo que eu tenho, o qual eu fico muito chateado quando eu vejo sendo desrespeitado, fico muito triste quando vejo a pouca importância que algumas pessoas dão para o hip-hop, mas é uma cultura que me deixa muito feliz por saber que ao redor do mundo salva milhões de jovens, milhões de pessoas, tem a característica de mudar o caminho delas, o hip-hop é transformação.  Hoje no VivaDança eu pude ver jovens dançando, disputando na batalha de break,  eu até falei dos seus pais, que naquele momento alguns nem sabiam onde seus filhos estavam, mas que eles pudessem ficar tranquilos que eles estavam ali trabalhando em prol da cultura, eles estavam vivendo, ali  no Teatro Vila Velha, em Salvador, fazendo arte, no melhor dos sentidos dessa palavra, fazendo arte e mostrando para a sociedade que tudo é possível para aquele que tem uma oportunidade.

RN: Como foi pra você receber a notícia da sua liberdade plena justo no dia que vinha pela primeira vez a Salvador, onde existe a segunda maior população negra fora de África?
Dexter: Isso é importante para caramba. Acho que Deus me reservou um presente maravilhoso, poder estar aqui com revolucionários verdadeiros, que é Hamilton Borges, a esposa dele Andréia, com você Dj Branco, com o Ricardo. Maravilhoso poder estar aqui, conheci alguns amigos, reencontrei outros, como  o caso do Bansk da Back Spin, que foi jurado da batalha de break. Reencontrar o  Banks foi maravilhoso, ele passou por uma fase muito difícil  e hoje ver o BankS dançando é muito bom, por isso que eu digo que o hip-hop salva, o hip-hop é vida. Poder estar aqui em Salvador tem haver com a minha  ancestralidade, com o meu povo. Deus me deu um presente, fico até sem palavras para poder definir o que estou sentindo.
Desde quando eu cheguei que eu tô feliz, comemorando minha liberdade e trabalhando também, em breve estarei de volta para o aniversário do Hamilton Borges, um ser humano excepcional, um cara que vem lutando em prol da melhora dentro dos presídios, em prol do povo preto, que ao longo dos anos vem derramando suor nessa luta. Estar aqui com o Dj Branco é muito importante, um cara muito importante para o estado da Bahia, para o hip-hop, um cara que não chegou no começo, quando tudo começou acontecer dentro do hip-hop aqui na Bahia, chegou um tempinho depois, mas que graças a Deus faz muito mais do que pessoas que chegaram no começo, que talvez tenham até uma soberba de dizer que são fundadores disso ou daquilo, mas que no fundo não fazem um terço do que você Branco faz. Tenho visto a sua batalha durante esses quatro dias que estou aqui, já foi o suficiente para perceber que você é um cara muito importante para o hip-hop baiano, uma figura muito carismática, de responsabilidade e principalmente de amor por aquilo que faz. Então cara, eu só posso me sentir lisonjeado ao extremo de poder ter ganhado a liberdade justamente no dia que eu estava vindo para cá e poder estar aqui. Participei do Viva Dança,  da Mostra Hip-Hop em Movimento,  participei da mesa redonda Hip-Hop e Direitos Humanos – Mudando as Regras do Jogo, um encontro muito importante com o Secretário de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do estado da Bahia, onde tivemos a oportunidade de cobrar algumas coisas e receber umas cobranças também, tais como: “gostaria muito que vocês fossem ao meu gabinete”. Então isso também é uma certa cobrança, por que senão esta acontecendo e o secretário pediu para que isso fosse feito, é uma cobrança, então vocês do hip-hop da Bahia tem que se juntar ir lá fazer as suas reivindicações. Enfim, é mágico poder estar aqui nas terras baianas comemorando minha liberdade. Eu gostaria de agradecer a todos pela recepção, pela atenção, ao Vidadança, a Cristina Castro, Wiil Brandão, a toda produção, aos patrocinadores, muito obrigado a todos.

RN: Como foi a experiência de visitar uma penitenciaria de Salvador, depois de saber da sua liberdade plena?
Dexter: No domingo de Páscoa eu fiz uma visita ao presídio de Salvador, junto com Hamilton Borges e Drª Andreia, eu gostaria de ter visitado muito mais, infelizmente por conta do horário só conseguimos visitar três pavilhões, mas foi gratificante ao extremo saber que a minha música chegou para eles aqui. Além de uma conversa, nós também fizemos um mini show, cantei algumas músicas, todo mundo cantou todas as músicas, se identificam e depois das músicas os abraços, os apertos de mão, as ideias dadas… Eu só tenho a agradecer e dizer para esses parceiros que a liberdade deles também vai cantar logo, logo. Eles tem que ter fé em Deus também, tem que batalhar por isso, nada vem de graça. Mas foi muito importante para mim poder estar com eles, poder neste domingo de Páscoa estar com eles. Ficamos sabendo que a visita deles, que acontece na sexta, sábado e domingo, por conta da segurança foi transferida, não deixaram eles terem visita neste fim de semana e eu ter aparecido lá e poder ter dividido com eles várias experiências, ter cantado, foi maravilhoso. Eu fiz do meu dia um dia diferente e o mais importante, fiz do dia deles um dia diferente. Eu, Hamilton Borges e Andréia a esposa do Hamilton… Foi maravilhoso poder estar com eles lá, na verdade eu nem me senti dentro da prisão, é claro que quando você chega em cada pavilhão, cada módulo, sempre tem aquela apreensão, uma apreensão que é até natural de pensar e procurar entender o que você vai encontrar lá,  mas ai você chega e encontra um lugar onde as pessoas estão propagando o  amor, onde as pessoas estão falando de sobrevivência, estão falando de saúde, de música e isso é muito louco. Poder ter estado com eles lá foi uma experiência impar em minha vida. Queria deixar um salve para todos eles e dizer que a liberdade jamais será dada voluntariamente pelo opressor e que ela tem que ser conquistada pelo oprimido.

RN: Dexter hoje se encontra em liberdade plena. O que você vai fazer de sua vida daqui para frente?
Dexter: Agora eu quero trabalhar, agora estou com uma possibilidade real de trabalho, já venho trabalhando desde que o Dr. Jaime começou a assinar os documentos para que eu pudesse sair para fazer shows, então já venho trabalhando com bastante afinco, quero continuar trabalhando, quero curti minha família, minha mãe, sobrinhos, irmãos, cunhados, minha esposa, minha sogra que é uma pessoa maravilhosa, tios, meus amigos que é a minha família da rua, agora as coisas vão começar a se resolver com mais facilidade, agora vou ter um tempo a mais para poder resolvê-las, então a perspectiva é muito grande e a vontade também, vamos juntar tudo e vamos trabalhar, é isso que eu quero agora, eu quero poder pisar na terra descalço, morô? (risos). É isso que eu quero, felicidade, alegria, paz, saúde e muito trabalho, é isso que eu quero daqui pra frente.

RN: Qual a visão que você tem sobre o hip-hop baiano? O que você pôde perceber nos dias que ficou aqui em Salvador?
Dexter: Quero parabenizar o hip-hop baiano pelos seus 15 anos e dizer que estou levando a melhor impressão possível que é o amor que as pessoas daqui têm pelo hip-hop, todas elas sem exceção, que se envolvem, que trabalham em prol do hip-hop, que fazem isso com muito amor e carinho,  esse amor já se faz perdido em algumas cidades, infelizmente em alguns estados, mas aqui na Bahia, em Salvador, está muito vivo, muito latente. Esses quatros dias que eu estou aqui me senti realmente nos meados de 90, em São Paulo, quando fazíamos passeatas, quando íamos para briga mesmo, quando fazíamos músicas falando dos problemas sociais, raciais, quando fazíamos músicas revolucionarias. Não que isso tenha acabado lá. Não é isso. Mas muita coisa mudou, mas eu estou me sentindo nos meados dos anos 90 em São Paulo, muito bom, muito gratificante. Estou feliz ao extremo, o hip-hop é muito latente aqui, perceber esse amor que as pessoas tem por essa cultura foi maravilhoso, eu que fico sem palavras para todos vocês aqui.

RN: Quando sai o próximo trabalho do rapper Dexter, tem previsão de videoclipe, cd novo?
Dexter: Comecei a trabalhar com mais afinco nesses projetos agora. Claro que já recebi algumas propostas para  gravação de videoclipe, está vindo o DVD da festa  Dexter e Convidados, que aconteceu na Quadra da Peruche, na cidade de Campinas. Mais para o final do ano vem o Dexter e Convidados 3ª edição também, em DVD, mas é obvio que tá na hora de entrar em estúdio, lançar o disco novo, músicas novas. Já tenho umas sete preparadas, mas vamos preparar umas 12 para o disco novo. Doze é um numero que gosto muito. São muitos os trabalhos a serem feitos, como eu não cantei no Brasil todo, o repertório que eu tenho é suficiente para que eu continue fazendo shows até mais um ano. Mas o hip-hop está carente dessas coisas, de DVD, de CD novo, então eu entro em estúdio na próxima semana e retomo essa questão musical da minha carreira e espero fazer um disco a contento.

RN: Mande um salve geral para os internautas e os integrantes da cultura hip-hip
Dexter: Quero deixar um salve, um abraço para os internautas e todos que fazem parte da cultura hip-hop. Muito obrigado pelo carinho, em especial para a Bahia. Quero deixar um abraço para todas essas pessoas e dizer o que o hip-hop não para. Quero agradecer todo carinho, todo respeito, todo amor. Obrigado mesmo, tamo juntão até a próxima. Que Deus abençoe a cada um de vocês, todos sem exceção, tamo junto, paz a todos.

11 comentários:

  1. Sempre acompanhei o trabalho do Dexter desde o 509-E,a musica Saudades Mil,marcou a minha vidaaa,quero parabeniza-lo e dizer q curto pra caramba as musicas dele...Vlw Guerreiro Deus é contigo!!!Abraço

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  2. peLa magia do funk renasceu o pLebeu. Aí fudeu, o monstro cresceu se criô ô. Agora já era é LamentáveL doutor...'

    QUE O DIA 20 DE ABRIL. seja sempre uma data memoráveL. taLento nato, dom de Deus... Que a caminhada continue miL grau e que Deus capacite não só à você Marcos Fernandes de Omena. mas à todos que fazem parte dos seus e dessa caminhada. sua famíLia. muLher e todos aqueLes parceiros e parceiras que não desacreditaram da sua força. A voz só tende a ficar mais forte. você é iLuminado e essa Luz tem que contaminar à todos. ta no verde titio. agora vaaaaai desfrutar da semente que você pLantou. vá coLher cada fruto com aLegria e feLicidade. você DEXTER e todos do coLetivo PESO... PROGRESSO E VITÓRIA! parabéns sempre peLa caminhada. merecedores! grande beeeeijo e um forte abraço de quem admira de perto. de Longe e de quaLquer Lugar e NUNCA se envergonha em faLar de boca CHEIA os cara tem taLento!!! satisfação...'

    tati boteLho!

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  3. Glória a Deus!! Sucesso Dexter, mtas felicidades pra vc e pra sua família!!Parabéns, continue revolucionando.Abraços Andrey de SBC

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  4. só tenho uma coisa a dizer >> Fenix...

    Bom pro RAP veremos o respeito e a militancia com mais frequencia salve 8anjo

    @sempreandre

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  5. quando fiquei sabendo chorei muito torço muito por vc nego fico feliz por cada vitoria sua vc esta todos os dias nas minhas horações em meu pensamento abraços PARABENS.

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  6. sim o dia 20 de abril devia ser um feriado,dexter muitas felicidades para voce e sua familia,fiquei muito emocionado por saber de sua volta parabens pela volta firme e forte no estamos ai de novo

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  7. Quando se fala de rap nacional, me sinto um peixe fora dágua, porque tenho 39 anos , cabelos grisalhos,e sou branco,só que é o seguinte, eu gosto de rap nacional desde o pepeu,conheço quase tudo de música,quando se fala desse assunto.Sou locutor formado, mas nunca tive oportunidade em rádios famosas,mas trabalhei durante 8 anos numa rádio pirata chamada TOP FM,em Osasco.Eu tinha um programa de rap nacional, e os manos da área me levavam os trabalhos deles pra mim divulgar,eu divulgava e não cobrava nada de ninguém,fazia de coração.Como locutor me conheciam como ROBSON SANTOS,e o 509-E era o grupo mais pedido da época com as músicas "oitavo anjo" e "a carta",era demais o sucesso dessas músicas.O 509-E faz parte da minha vida por causa disso, e desejo que o dexter tenha muito sucesso fora do sistema prisional pois provou que as pessoas podem mudar , se quizerem de verdade. SALVE, SALVE,DEXTER.Um abraço do locutor ROBSON SANTOS.

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  8. entao parceiro dexter eu tava la e vi o dia da tua vitoria e fiquei feliz torci muito por vc guerreiro forte abraço e nois ass william diadema

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  9. IAI MANO DEXTER A LUTA CONTINUA DIA A DIA .GRANDE PREZENSA A SUA NO FORUM DE PORTO UM SALVE DA L/N A RAPA DO CAPAO E SO REP [LITORAL NORTE DO RIO GRANDE DO SUL]PORQUE O REP NAO TEM FRONTEIRAS LIGA NOIS THEC.

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  10. FIRMEZA TOTAL ESSE E O REP E O RESGATE E DEUS A SALVACAO.DA L/N DA MINHA CAPAO UM SALVE PARA TODOS ERMAO.E NOIS

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  11. AI DEXTER QUERO DESEJAR TUDO DE BOM P VOCÊ E PARA SUA FAMILIA, SUA ESPOSA Q FOI GUERREIRA NESSA BATALHA COM VOCÊ, MERECE MAIOR VALOR E CONSIDERAÇÃO.UM GRANDE ABRAÇO. AMANDA - RS

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